ENFERMEIRA MERIELLY

30 horas já: a enfermagem não aceita retrocessos disfarçados de negociação

ENFERMEIRA MERIELLY
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30 horas já: a enfermagem não aceita retrocessos disfarçados de negociação

A enfermagem brasileira está, mais uma vez, diante de uma encruzilhada histórica. De um lado, a luta legítima por valorização, dignidade e condições justas de trabalho. Do outro, tentativas de descaracterizar conquistas fundamentais sob o pretexto de negociação.

Estive em Brasília no último dia 17, participando da mobilização nacional em defesa da PEC 19. Ao longo do dia, dialoguei com parlamentares da bancada de Mato Grosso e reforcei aquilo que é inegociável para a nossa categoria: a jornada de 30 horas semanais vinculada ao piso salarial.

A proposta, de autoria da senadora Eliziane Gama (PSD/MA), corrige uma distorção histórica. Ela não apenas garante um piso digno, mas estabelece um limite de jornada compatível com a responsabilidade e o desgaste físico e emocional que a enfermagem enfrenta diariamente.

No entanto, o que vimos nos bastidores foi preocupante.

A sinalização de que a proposta só avançaria caso seja alterada para 36 horas é, na prática, uma tentativa de impor um retrocesso. Não podemos aceitar que uma conquista seja desfigurada dessa forma. Trabalhar mais, ganhando proporcionalmente menos, não é valorização — é desrespeito.

A enfermagem sabe o que quer. E quer 30 horas.

Causa estranheza ver movimentos que tentam legitimar as 36 horas por meio de consultas que, na percepção de muitos profissionais, já têm resultado previamente direcionado. Em pleno ano eleitoral, é preciso ter responsabilidade com a categoria e transparência no processo.

Não se constrói política pública enganando trabalhadores.

Além disso, enfrentamos uma realidade dura: em apenas três anos, o piso da enfermagem perdeu mais de 20% do seu poder de compra. Isso significa profissionais mais sobrecarregados, menos valorizados e um sistema de saúde cada vez mais pressionado.

Defender as 30 horas é defender: a qualidade da assistência prestada à população; a saúde física e mental dos profissionais; a valorização real da enfermagem

Não se trata apenas de carga horária. Trata-se de respeito.

Seguiremos mobilizados, firmes e vigilantes. A enfermagem brasileira não aceitará retrocessos, nem decisões tomadas sem ouvir a base que sustenta o sistema de saúde todos os dias.

A hora é agora. 30 horas já.

Enfermeira Merielly é presidente da Câmara Setorial Temática da Enfermagem da Assembleia Legislativa de Mato Grosso