Conversas obtidas pela Polícia Civil de Mato Grosso revelam que o adolescente, de 14 anos, que confessou ter matado os pais e o irmão mais novo em Itaperuna, no Rio de Janeiro, planejava seguir para Mato Grosso com o objetivo de assassinar também os pais da namorada virtual, de 15 anos, moradora de Água Boa (730 km de Cuiabá).
O objetivo seria eliminar qualquer obstáculo para que os dois pudessem "viver um amor proibido".
De acordo com o delegado Matheus Soares, que conduz as investigações em Mato Grosso, os diálogos entre o casal são “assustadores” e evidenciam a participação ativa da jovem no planejamento do crime.
— O plano era que, ao chegar em Mato Grosso, eles matariam os pais da adolescente. A ideia era eliminar todos que se opusessem à relação deles — relatou o delegado.
A adolescente foi apreendida em Água Boa e será encaminhada para internação. Já o adolescente segue internado no Rio de Janeiro.
Incentivo ao crime
A investigação aponta que a jovem não apenas sabia do plano, como incentivou diretamente o namorado a matar a própria família. Segundo o delegado, as conversas revelam frieza e planejamento detalhado.
— Ela foi uma grande incentivadora. As mensagens mostram a naturalidade com que falavam sobre matar os pais, como esconder os corpos... É algo que choca — destacou Soares.
No dia do crime, o garoto trocava mensagens com a adolescente em tempo real. Após atirar no pai, contou a ela, que respondeu: “Agora atira nela”, referindo-se à mãe. A Polícia acredita que a mensagem foi decisiva para a sequência do crime.
Relacionamento virtual
Os dois adolescentes se conheceram ainda aos 9 anos, por meio de jogos online. Mantinham contato há cerca de seis anos e, mais recentemente, iniciaram um relacionamento virtual. A ideia de ficarem juntos teria ganhado força nos últimos meses.
Segundo a Polícia Civil, o crime foi motivado pela proibição dos pais do garoto quanto a uma viagem para Mato Grosso para encontrar a namorada. Esse veto teria sido o estopim para a chacina.
O crime
O triplo homicídio ocorreu no dia 21 de junho, mas os corpos só foram descobertos três dias depois, em 24 de junho, no quintal da casa da família, no Rio de Janeiro.
As vítimas foram identificadas como Antônio Carlos Teixeira, de 45 anos, a esposa Inaila Teixeira, de 37, e o filho caçula do casal, Antônio Teixeira, de apenas 3 anos.
A denúncia foi feita pela avó paterna, após dias sem contato com os familiares.
A Polícia encontrou vestígios de sangue na residência e, ao investigar um forte odor vindo do quintal, localizou os corpos escondidos dentro de uma cisterna.
Após ser apreendido, o adolescente confessou o crime e relatou que pretendia sacar dinheiro da conta do pai para custear a viagem até Mato Grosso, onde daria continuidade ao plano junto da namorada.
O caso segue sendo investigado pelas polícias civis do Rio de Janeiro e de Mato Grosso.