A Câmara Municipal de Pedra Preta (a 237 km de Cuiabá) aprovou, por 8 votos a 2, o recebimento de uma denúncia contra o vereador Gilson da Agricultura (União Brasil), após ele ter ofendido a prefeita do município, Iraci Ferreira (PSDB), chamando-a de “cadela viciada” durante uma sessão ordinária realizada na semana passada.
A denúncia foi protocolada pela própria prefeita e unificou outras quatro representações que tratavam do mesmo episódio, todas apontando possíveis crimes de quebra de decoro parlamentar, violência política, abuso de prerrogativas e misoginia.
A votação aconteceu durante a sessão plenária da última segunda-feira (1º), que contou com a presença de diversos moradores.
Os munícipes protestaram contra o parlamentar e acompanharam a leitura das denúncias, que ocupou cerca de uma hora da reunião.
Votaram contra o recebimento da denúncia apenas os vereadores Éder da Mecânica (PSB) e Fernando Gelvalino (Podemos). Os demais parlamentares foram favoráveis à abertura do processo.
Seguindo o Regimento Interno da Casa, foi instaurada uma Comissão Processante que terá até 15 dias para concluir a investigação, podendo recomendar a cassação ou a manutenção do mandato do vereador.
A composição da comissão foi definida por sorteio: Edérico Machado (União) assumiu a presidência, Francisco José de Lima (PSDB) ficou como relator e Fernando Gelvalino atuará como secretário.
Defesa e pedido de desculpas
Durante a sessão, Gilson teve oportunidade de se defender na tribuna. Em um discurso de cerca de 10 minutos, tentou justificar suas declarações, afirmando que o objetivo não era atacar diretamente a prefeita nem ofender as mulheres.
— “Vim esclarecer, não me redimir. Em nenhum momento quis direcionar o termo à prefeita ou ao gênero feminino. Minha crítica era à classe política como um todo. Falei num momento de ansiedade. Se pudesse voltar no tempo, eu voltaria. Peço perdão às mulheres e à prefeita. Nunca quis faltar com respeito”, afirmou o vereador.
Gilson também alegou que suas palavras foram mal interpretadas e reforçou que não se considera machista.
— “Hoje sou acusado, amanhã pode ser qualquer um de nós. O que me resta é ter humildade e pedir perdão”, concluiu.