GUERRA AO CRIME

Governador de Mato Grosso defende que faccionados sejam tratados como terroristas

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Governador de Mato Grosso defende que faccionados sejam tratados como terroristas

O governador Mauro Mendes (União) defendeu a reorganização do sistema punitivo brasileiro para restabelecer o medo e o respeito pelas autoridades e principalmente para cessar o avanço das facções criminosas no Brasil, entre elas, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, nesta segunda-feira (3), o gestor se disse à favor da classificação das facções como organizações terroristas.

“Hoje no Brasil, o crime de terrorismo é por discriminação religiosa, de gênero e embora sejam crimes que devam ser punidos com severidade, mas hoje essas facções praticam aquilo que é o verdadeiro terror. Se você perguntar para qualquer cidadão o que é ser terrorista, ele vai dizer que é aquele que dissemina o terror, que usa do medo para auferir resultado ou impor a sua força”, explicou.

O debate voltou à tona na última semana devido à megaoperação realizada nos morros da Penha e Alemão no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes, sendo 4 policiais e 117 criminosos.

Mendes lamentou os óbitos dos agentes e sobre os faccionados, disse que eles procuraram isso, uma vez que o destino de quem entra para o crime é a prisão ou a morte.

“Esses caras cotidianamente matam pessoas, arrancam cabeças, arrancam corações, exibem metralhadoras em festas na rua, mostram ostentação de poder. Isso é terrorismo ou não? Eles dominam comunidades inteiras com a força, opressão, e isso é o absoluto terrorismo. Se isso não for o que é terrorista nesse país?”, questionou.

Ainda segundo o gestor, tudo pode ser construído numa eventual reorganização do sistema penal no país e que é necessária uma atualização do Código Penal de acordo com a nova realidade vivida no país.

Não só classificar como terrorista, mas pegar alguns tipos de crimes que são crimes estruturantes, ou seja, a partir deles você cria toda uma cadeia de crime.

O tráfico de droga coloca na cadeia do crime milhares e milhares de jovens, viciados fazendo pequenos furtos para sustentar esse vício Nós temos que destruir essa cadeia ou dificultá-la muito.

A receptação de produtos roubados é outra gigante, vamos atacar onde a gente desestrutura essa cadeia, por exemplo no receptador. Se você prende e coloca uma pena muito dura para receptação, não vai ter ninguém [cometendo o crime]”, exemplificou.

O governador deu como exemplo o roubo de agrotóxicos ou defensivos agrícolas.

“Se for uma pena muito dura, esse cara vai pensar duas vezes antes de fazer. Penso que temos que reorganizar nosso sistema punitivo para restabelecer o medo e o respeito pelo país. A verdade é que bandido não respeita nossas leis, nem polícia e nem aí para as penas que serão aplicadas porque sabem que rapidamente vão sair da cadeia”, defendeu.

Mendes citou também a falência do sistema prisional brasileiro com exemplos do beira mar preso há duas décadas.

“Presídio não pode ser QG do bandido onde eles praticam crimes de extorsão. Temos que transformar as cadeias em lugares decentes onde as leis duras devem ser aplicadas e essas pessoas cumprirem. Essas pessoas não podem ficar lá comandando. Quem é o comandante do PCC? Todo mundo sabe o nome, tá preso há 20 anos e o PCC continuou crescendo. Isso é a falência do sistema prisional e deve ser revisado”.