O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) publicou, nesta quinta-feira (11), uma nota de repúdio aos episódios de violência registrados na Policlínica do Parque do Lago, em Várzea Grande. No comunicado, a entidade manifesta “profunda indignação” diante de dois casos que vitimaram profissionais da saúde durante o exercício de suas funções.
Conforme o conselho, em menos de um mês, a enfermeira Angélica Tapajós dos Santos e a médica Brunna de Campos Pinheiro foram alvo de agressões físicas, ameaças e constrangimentos por parte de uma paciente. O Coren-MT destaca que os novos ataques ocorreram mesmo após o registro de boletim de ocorrência do primeiro caso, em 12 de janeiro, e com audiência judicial já agendada.
Segundo a entidade, a reincidência demonstra a gravidade da situação e evidencia a vulnerabilidade dos trabalhadores da saúde. O conselho também alerta que o caso reforça falhas na proteção dos profissionais e a necessidade urgente de medidas eficazes para assegurar ambientes de trabalho seguros.
O Coren-MT informou que adotará providências, como oferecer apoio institucional e jurídico à profissional de enfermagem, acompanhar formalmente o caso junto aos órgãos de segurança e Justiça e encaminhar ofícios à Prefeitura de Várzea Grande, à Secretaria Municipal de Saúde, ao Ministério Público e à Secretaria de Estado de Segurança Pública, solicitando ações imediatas para reforçar a segurança nas unidades. A entidade também afirmou que irá cobrar a implementação de protocolos de prevenção à violência e defender que situações como essas sejam tratadas como um problema estrutural, que exige políticas públicas específicas. Ao final da nota, o conselho declarou que “ferir quem cuida é ferir sua saúde”.
Casos
Em um dos episódios, uma mulher de 33 anos foi presa após invadir uma sala de atendimento na policlínica do Parque do Lago e arremessar um celular contra uma médica, atingindo-a no rosto. Além da agressão, houve ameaças de morte e desacato. A suspeita foi encaminhada à delegacia e, conforme o boletim de ocorrência, estava acompanhada da filha de quatro anos.
Já na UPA Morada do Ouro, em Cuiabá, uma técnica de enfermagem, de 50 anos, e uma médica, de 36, foram agredidas por uma paciente durante um tumulto. De acordo com relatos, a mulher, que apresentava transtornos psiquiátricos, se exaltou após orientações da equipe. A médica sofreu tapas, socos e arranhões, teve escoriações, hematomas e a roupa rasgada. Vídeos com imagens das lesões circularam nas redes sociais.
A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá também repudiou o ocorrido. A secretária Danielle Carmona afirmou que é inaceitável que profissionais dedicados ao cuidado da população sejam alvo de agressões e reforçou que não haverá tolerância a qualquer tipo de violência dentro das unidades de saúde.