Ao passar pelo Edifício Palácio do Comércio, no coração de Cuiabá, não se cruza apenas uma esquina, atravessa-se a história de como a cidade nasceu, se estruturou e se manteve viva por mais de três séculos. Ali, o comércio deixou de ser apenas atividade econômica para se tornar base da dinâmica urbana.
Aos 307 anos, Cuiabá volta a encarar um ponto decisivo. O Centro Histórico, que já concentrou movimento, encontros e prosperidade, hoje exige uma nova leitura sobre sua ocupação. E, mais uma vez, o caminho passa pelo fortalecimento do comércio.
Os dados confirmam esse potencial. Mato Grosso registrou crescimento de 9,1% nas vendas do varejo ampliado em janeiro, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais do que um indicador positivo, o resultado demonstra a capacidade do setor de reagir, se adaptar e impulsionar transformações concretas.
Revitalizar o Centro, no entanto, não se resume à recuperação de fachadas ou à reorganização de espaços. O ponto central é devolver uso, função e permanência. Não há vitalidade urbana sem atividade econômica ativa, nem reocupação consistente sem um comércio forte e atuante.
É nesse contexto que a Associação Comercial e Empresarial de Cuiabá (ACCuiabá), que completa 113 anos em 2026, vem assumindo protagonismo ao articular poder público, instituições e empresários em torno de uma agenda contínua. O trabalho conjunto com a Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano tem consolidado o Centro Histórico como prioridade prática, com encaminhamentos objetivos.
As pautas avançam em frentes estruturantes, como a requalificação dos calçadões, a reorganização da fiação elétrica, o mapeamento de imóveis ociosos e a criação de incentivos para estimular a ocupação econômica da região. Em paralelo, o diálogo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tem permitido equilibrar preservação e uso, garantindo identidade sem comprometer a viabilidade dos espaços.
O desafio é claro. Tornar o Centro novamente habitado, frequentado e economicamente ativo. Isso não depende apenas de projetos, mas de convergência, algo que começa a se consolidar com a atuação integrada dos diferentes atores envolvidos.
Há, porém, um princípio que não pode ser ignorado: cidades ganham vida com pessoas. E pessoas circulam onde há comércio, serviços, oportunidades e pertencimento.
Pensar o futuro de Cuiabá não é apenas preservar o passado, mas reativar o que sempre funcionou. O Centro Histórico não precisa ser reinventado, precisa ser reocupado com estratégia, inteligência e compromisso coletivo.
Ao passar pelo Palácio do Comércio, não se deve enxergar apenas memória. Ali está um sinal claro de direção. Foi o comércio que sustentou Cuiabá ao longo de sua história. E pode ser, novamente, o motor da sua transformação.
Jonas Alves
Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Cuiabá (ACCuiabá)
JONAS ALVES
O comércio aponta o futuro de Cuiabá
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