DILEMÁRIO ALENCAR

Soberania não pode ser escudo para a tirania

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Soberania não pode ser escudo para a tirania

A posição do presidente Lula da Silva ao defender o regime de Nicolás Maduro não causa surpresa, mas causa indignação. Trata-se de mais um capítulo de uma narrativa que insiste em relativizar crimes contra a humanidade sob o pretexto de soberania nacional.

A soberania de um país é, sem dúvida, um dos pilares da ordem internacional. No entanto, ela não pode ser usada como escudo para a violação sistemática dos direitos humanos, nem para legitimar o terror imposto por governantes contra sua própria população. Quando um ditador instrumentaliza esse princípio para perseguir opositores, calar a imprensa e esmagar liberdades fundamentais, a soberania perde qualquer valor moral ou jurídico.

A Venezuela, que já figurou entre as nações mais prósperas da América do Sul, mergulhou em uma crise humanitária sem precedentes sob sucessivos governos de esquerda, culminando no regime autoritário de Maduro. Corrupção endêmica, incompetência administrativa e repressão política transformaram o país em um campo de batalha silencioso — uma guerra não declarada contra uma população desarmada.

Os números são contundentes. Mais de 7,7 milhões de venezuelanos foram forçados a deixar o país, configurando o maior êxodo da história recente do hemisfério ocidental.

A liberdade de expressão foi brutalmente sufocada, com centenas de violações registradas apenas em 2025. Opositores políticos foram cassados, presos e torturados, conforme relatórios da Missão Internacional da Organização das Nações Unidas, evidenciando um plano deliberado para eliminar qualquer forma de dissidência.

As eleições de 2018 e 2024 foram amplamente denunciadas como fraudulentas, servindo apenas para manter a encenação de uma democracia inexistente. O sistema de saúde entrou em colapso, hospitais ficaram sem medicamentos básicos, profissionais da saúde fugiram em massa e a educação foi sucateada, com professores sobrevivendo com salários indignos. A violência atingiu patamares alarmantes, colocando o país entre os mais violentos do mundo.

O resultado é um Estado falido, onde fome, medo e doença se tornaram as únicas “políticas públicas” efetivas do regime.

Durante anos, o mundo assistiu a essa tragédia com uma mistura de horror e inércia. Condenações protocolares, sanções insuficientes e resoluções inócuas se mostraram incapazes de conter a espiral de miséria e violência. A soberania passou a ser usada como um biombo para acobertar crimes contra a humanidade.

Diante desse cenário, é inaceitável que o presidente Lula — assim como outros líderes da esquerda latino-americana — continue sustentando a narrativa de que os Estados Unidos estariam desrespeitando a soberania venezuelana. Essa retórica não protege povos; protege ditadores. Serve apenas para perpetuar a opressão e dar sobrevida a regimes autoritários.

A história demonstra que ditaduras não são eternas. A ação internacional, quando orientada pela defesa da liberdade e da dignidade humana, representa esperança para o povo venezuelano e um alerta inequívoco a todos os tiranos e seus aliados.

Abaixo as ditaduras!
Viva a liberdade!

Dilemário Alencar, é vereador pela cidade de Cuiabá