Um casal foi condenado pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 30 mil por danos morais e quitar verbas trabalhistas à sobrinha, submetida a condições análogas à escravidão durante cerca de uma década, em Chapada dos Guimarães, a 65 quilômetros de Cuiabá.
De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), a vítima era obrigada a realizar serviços domésticos sem remuneração e em condições degradantes desde a adolescência. Após perder os pais, ela passou a viver com a avó e, após a morte da idosa, ficou sob a guarda legal dos tios.
Segundo o processo, mesmo após atingir a maioridade, a jovem continuou sendo explorada pelo casal. Em uma tentativa de escapar da situação, ela chegou a fugir da residência, mas foi localizada e forçada a retornar ao imóvel.
O caso veio à tona em setembro de 2019, quando a vítima foi resgatada durante uma fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. A partir das investigações, ficou comprovado que ela vivia em situação de trabalho escravo contemporâneo, sem salário, direitos trabalhistas ou liberdade para deixar o local.
A decisão, divulgada pelo TRT-MT nesta quinta-feira (23), reconheceu a gravidade das violações sofridas pela jovem e determinou o pagamento de indenização por danos morais, além das verbas trabalhistas referentes ao período em que foi explorada.