ACUSAÇÕES

Ex-servidora denuncia vereador por assédio: "tinha fetiche de ser corno"

FOLHA MAX
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Ex-servidora denuncia vereador por assédio: "tinha fetiche de ser corno"

Uma ex-funcionária denunciou o vereador e candidato a deputado estadual Marcos Vinícius Borges (PSDB) por uma série de condutas que teriam ocorrido durante o período em que ela trabalhou na Câmara de Vereadores de Sinop (500 km de Cuiabá).

O relato inclui acusações de assédio sexual dentro do próprio prédio do Legislativo, ameaças veladas feitas por um amigo do advogado e a gravação não consensual de relações íntimas por câmeras de segurança instaladas na residência dele.

Cuiabá, 22 de Setembro de 2026

Segundo a denunciante, o contato inicial ocorreu em uma festa e, depois, no Clube Aéreo da cidade. A partir dali, Marcos Vinícius teria se aproximado gradualmente, sempre falando sobre uma ex-companheira e buscando construir uma imagem de si mesmo como alguém respeitoso e diferente do que a ex dizia a seu respeito.

Em determinado momento, ele mencionou a possibilidade de um emprego. A denunciante demonstrou interesse e, no dia seguinte, foi levada por ele à Câmara de Vereadores, onde começou a trabalhar em 2026.

"Aí já comecei a trabalhar lá e ele aparentava ser respeitoso, educado, né, então isso foi muito bom pra mim. E foi passando o tempo, ele começou vindo e aí a gente foi se conhecendo, numa questão mais pessoal e mais íntima. E nisso foi passando o tempo e ele começou a falar sobre alguns feitiches que ele tinha e insistiu um pouco nisso. Eu falei que não tinha vontade, que eu não faria esse feitiche dele, de ser corno. Não conduzia com os meus valores, não conduzia com os meus princípios", disse a mulher em entrevista ao podcast "Paula Livre", sob a condiação de anonimato, sem divulgar e nome e imagens dela.

O episódio mais grave relatado ocorreu dentro da Câmara de Vereadores. Segundo a denunciante, Marcos Vinícius teria orientado um amigo que também trabalha no Legislativo a ir até a sala dela em um momento em que estivesse sozinha. O colega teria insinuado que a contratação dela fazia parte de "um jogo".

"E ele falou, então tá, vou tentar mudar pra você, eu gosto de você, você é incrível, você é a mulher que eu sempre desejei. Você é aquilo que eu sempre quis. Então assim, ele traz essa imagem muito de uma pessoa boa, ele que vai pra igreja e tudo mais. Isso me irritou e me irrita muito pelo fato de não conduzir com a pessoa dele. Até que ele testou um amigo dele que trabalha também na câmara de vereadores, pra ir na minha sala no momento que eu estava sozinha. E o amigo dele veio, pegou na minha perna, meio dando em cima de mim", ressaltou.

A mulher ligou para Marcos Vinícius para questioná-lo sobre o que teria sido "um jogo". Ele, segundo a mulher, negou que fosse uma armação e disse ter ficado triste com o comportamento do amigo.

A denunciante decidiu gravar conversas com ele usando o celular de uma amiga, escondendo o aparelho na cintura e, depois, junto ao sutiã. Nos áudios, conforme relata, ele teria entrado em contradição.

Depois que ela encerrou qualquer envolvimento pessoal, Marcos Vinícius teria afirmado que estava voltando com a ex-companheira de quem sempre falava mal.

A denunciante permaneceu trabalhando na Câmara por mais cerca de três dias. Nesse período, o amigo do vereador que a havia assediado voltou a se aproximar, desta vez com recados indiretos: "Toma cuidado, você tem que começar a tomar cuidado."

Depois, teria dito que ela deveria sair do ambiente porque "não sabia mais com quem estava lidando".

O ponto central da denúncia envolve gravações não consensuais. A denunciante afirma que Marcos Vinícius instalou câmeras de segurança na residência dele e que, durante uma relação sexual entre os dois, as imagens foram captadas sem o conhecimento ou consentimento dela.

Quando a mulher o procurou para pedir que parasse de ser ameaçada, o parlamentar teria mencionado justamente essas gravações. Segundo ela, Marcos Vinícius ameaçou expor o material e disse que isso a prejudicaria.

Ela respondeu que sua família já sabia o que estava acontecendo e que, se algo lhe ocorresse, as pessoas próximas estariam cientes. Ele teria respondido que não tinha medo dela e que ela "não sabia quem ele era".

"E tudo que a câmera de segurança pegou, ele falou que ia expor isso sobre mim. E que isso iria me prejudicar. Mas em nenhum momento isso foi consensual. Em nenhum momento eu deixei ele gravar algo de mim. Esses vídeos foram gravados pela câmera de segurança. Tudo o que a câmera pegou, ele me ameaçou com isso. E as outras vítimas, ele realmente ameaça todas com isso. Eu falei pra ele parar de me ameaçar", pontuou.

Na entrevista, a denunciante menciona casos de outras mulheres, incluindo supostas menores de idade. Ela menciona uma outra jovem, que teria sido abusada por volta dos 14 anos e afirma que Marcos Vinícius costuma passar em frente a escolas de Sinop, enviar fotos íntimas a meninas e oferecer dinheiro em troca de vídeos com conteúdo sexual.

Procurado, Marcos Vinícius Borges enviou nota na qual atribui as acusações a sensacionalismo motivado por pesquisa eleitoral que o colocou em primeiro lugar em Sinop.

Ele afirma ter processado as mulheres envolvidas e o jornalista responsável pelas publicações, a quem descreve como funcionário do prefeito Roberto Dorner, cuja ex-esposa também trabalha na gestão municipal.

Marcos Vinícius relembra que foi o denunciante do desvio de R$ 87 milhões que desmantelou um esquema de corrupção em Sinop, quando Roberto Dorner ainda tinha Scheila Pedroso como primeira-dama.

Ele afirma estar processando os envolvidos por calúnia.

Ele também menciona a existência de entendimento judicial de que haveria, nas denúncias, indícios de desvio do instituto Maria da Penha, além de indícios de interesses políticos por trás das acusações.