Discutir um novo projeto do setor turístico para a região do Pantanal, foi o principal objetivo da reunião remota, entre as lideranças empresariais que atuam na região pantaneira, com o presidente da Fecomércio/MT, Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli), na sede da entidade.
As lideranças apresentaram uma posição contrária a uma proposta de construção de uma ponte de concreto sobre o rio Cuiabá, em Porto Jofre, no fim da Transpantaneira, como um corredor rodoviário interligando os pantanais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A mobilização das organizações ambientais que atuam em defesa do Pantanal, ocorreu após a publicação, em fevereiro deste ano, de um protocolo de intenções entre a SINFRA/MT e SEILOG/MS.
O presidente da Fecomércio, afirmou que junto com as lideranças, buscará uma solução e propôs a elaboração de um documento a ser encaminhado aos parlamentares que também defendem o Pantanal, além de convidar o secretário de Estado de Infraestrutura-Sinfra para um reunião. “Entendemos a importância e o potencial turístico do Pantanal. Vamos discutir com a classe política, para que olhem com prioridade o turismo no Pantanal”, adiantou.
O presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade-Cetur/Fecomércio, Jaime Okamura, apresentou como proposta um novo projeto a ser entregue pelos empresários, incluindo as reais necessidades do setor, visando o desenvolvimento do turismo. Ele destacou o trabalho das IGrs- Instâncias de Governança Regional, como aliadas nesta questão. Através delas, que são organizadas, podem ter um papel estratégico nesta questão. “A partir desta reunião com os empresários, vamos para as próximas etapas para dar encaminhamento as propostas. Foi muito esclarecedor este encontro” garantiu o dirigente do Cetur, que atua em várias frente do turismo mato-grossense.
O representante da IGR-Pantanal, José Marcos, informou que em relação a ponte anunciada, ela é favorável somente para Mato Grosso do Sul e que as intenções deste projeto, não foram esclarecidas para o setor turístico. “Vamos apresentar um documento, deixando claro que somos totalmente contra a ponte. Nosso projeto, visa a integração dos municípios dentro de Mato Grosso, pois defendemos a economia local. O turista que chega aqui, pode desfrutar das belezas naturais, conhecendo também outras regiões, ampliando o seu destino turístico no estado”, observou.
Empresário no Pantanal, há mais de três décadas, André Turony, que tem profundo conhecimento de toda região pantaneira, frisou que ao invés de gastar 60 milhões com uma ponte para Mato Grosso do Sul, o governo poderia investir a metade deste valor em infraestrutura turística no Pantanal mato-grossense. “Não fomos ouvidos sobre o projeto desta ponte. Necessitamos de energia elétrica, o mais importante. Defendemos a ligação por estradas entre as regiões do Pantanal. São muitos empreendimentos, entre hotéis e pousadas, gerando emprego e renda, aquecendo a economia regional. Um fazendeiro, que lida com a pecuária na região, e acrescenta a atividade turística, tudo muda. Entre tantos atrativos, como o turismo de contemplação, pesca, observação de pássaros, o principal é a onça, que vive no habitat preservado”, disse ele, anunciando que será lançado em breve, através da Netflix, pelo codiretor, Mike Bueno, o documentário de sucesso, a ‘Marcha das Onças’.
Um porto para a melhoria da navegação, pois muitos barcos circulam nos rios do Pantanal, segurança e pistas para receber aeronaves maiores na região, são algumas das necessidades, apontadas por Ailton Lara, proprietário de uma pousada no final da transpantaneira. Construir uma ponte, sem avaliar os impactos ambientais é prejudicial. Começam a circulação de veículos pesados, causando atropelamentos e mortes de animais. “A parte hídrica, poderá ser afetada. O Pantanal precisa de imundações para manter o equilíbrio, sem água, aumenta a sêca e consequentemente aparecem os incêndios, os animais, principalmente as onças, desaparecem. É um efeito dominó de problemas”, alertou.
Ao final da reunião técnica, os empresários definiram algumas ações que integrarão uma pauta. Defenderam a integração entre os municípios com potencial turístico na região. Lutam pela construção de estrada, ligando Poconé a Barão de Melgaço, e Poconé a Cáceres, pelo porto Conceição no rio Paraguai, além de outros trechos, como a ligação do distrito de Joselândia com Águas Quentes. A meta é o fortalecimento dos destinos turísticos do Pantanal Mato-grossense e a preservação da natureza.
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