LUZIMAR COLLARES

Não escorregue nestes 3 deslizes do português

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Não escorregue nestes 3 deslizes do português

Você pode conhecer profundamente um assunto e dominar o assunto sobre o qual está falando. Mas, em determinadas situações, a maneira como você usa a língua portuguesa também comunica quem você é profissionalmente.

Isso não significa transformar a comunicação em uma lista interminável de “certo” e “errado”. A língua é viva, muda, incorpora palavras, expressões e novos usos. E falar de maneira espontânea, em uma conversa entre amigos, não é a mesma coisa que fazer uma apresentação profissional, participar de uma entrevista, escrever um documento oficial ou representar uma instituição.

Comunicar bem também é saber adequar a linguagem ao contexto. E há situações em que conhecer e utilizar a norma-padrão demonstra preparo, cuidado e domínio do idioma.

 Mais do que decorar regras, dominar a língua portuguesa é saber adequar a linguagem ao contexto e reconhecer quando a norma-padrão deve prevalecer. / fonte: imagem criada por IA
Mais do que decorar regras, dominar a língua portuguesa é saber adequar a linguagem ao contexto e reconhecer quando a norma-padrão deve prevalecer. / fonte: imagem criada por IA

Alguns erros aparecem com tanta frequência que já passaram a soar naturais. Um deles está na expressão de tempo.

  • É muito comum ouvirmos: “Fazem dez anos que trabalho aqui.”
  • O correto, na norma-padrão, é: “Faz dez anos que trabalho aqui.”
  • Quando o verbo fazer indica tempo decorrido, ele é impessoal. Ou seja, não tem sujeito e permanece no singular.

Por isso:

  • Faz dois anos.
  • Faz dez meses.
  • Faz muitos anos que não nos vemos.

Não importa se o período é singular ou plural: nesse caso, o verbo fica no singular.

Outro exemplo é uma expressão aparentemente simples: “estar em dia” ou “estar em dias”.

Quando queremos dizer que algo está atualizado, regularizado, sem pendências, usamos “em dia”.

  • “As mensalidades estão em dia.”
  • “Os documentos estão em dia.”
  • “Estou em dia com minhas obrigações.”

Já “em dias” pode aparecer em outros contextos, quando “dias” é efetivamente um substantivo no plural, como em: “O trabalho foi concluído em dias diferentes.”

E chegamos a um erro bastante comum: “houveram”.

É frequente ouvirmos frases como:

“Houveram muitos problemas durante o evento.”

Na norma-padrão, quando o verbo haver é empregado com sentido de existir ou acontecer, ele é impessoal e deve permanecer no singular:

“Houve muitos problemas durante o evento.”

A regra também vale para o passado:

“Havia muitas pessoas na sala.”

E não: “Haviam muitas pessoas na sala.”

Uma forma simples de lembrar é substituir mentalmente o verbo “haver” por “existir”. 

Se a frase for:

“Existiam muitas pessoas na sala”, o verbo “existir” concorda com “pessoas”.

Mas, com “haver” nesse sentido, temos:

“Havia muitas pessoas na sala.”

Não defendo uma comunicação engessada, artificial ou cheia de palavras difíceis. Defendo uma comunicação clara, adequada e consciente. No entanto, temos que admitir que dominar a língua portuguesa é uma habilidade importante e amplia as próprias possibilidades de comunicação. E quando você sabe como a língua funciona, pode escolher melhor como quer se expressar.