O laudo de necropsia confirmou que a estudante Olga Beatriz, de 12 anos, morreu em decorrência de asfixia mecânica. O principal suspeito do crime é o próprio pai da vítima, Claudinei da Silva, que foi indiciado por feminicídio praticado no contexto de violência doméstica. O homicídio ocorreu em 7 de junho, em Várzea Grande.
A informação foi confirmada pela delegada Jéssica Assis, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelas investigações. Conforme a autoridade policial, o investigado foi indiciado por feminicídio qualificado, com agravantes pelo emprego de asfixia e pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos.
Segundo a apuração, Olga foi estrangulada pelo pai dentro da residência da família. A violência foi tão intensa que provocou o rompimento de vasos sanguíneos na região do nariz. A adolescente ainda foi socorrida e encaminhada ao Pronto-Socorro de Várzea Grande, mas não resistiu aos ferimentos.
Após o crime, Claudinei compareceu espontaneamente à delegacia acompanhado de um amigo. Ele confessou o assassinato e foi encaminhado à DHPP. No dia seguinte, passou por audiência de custódia e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.
Durante o depoimento, o investigado alegou que atacou a filha após descobrir uma suposta troca de mensagens entre ela e um adolescente por meio do Instagram. A versão, no entanto, é contestada pela defesa da mãe da menina, que afirma que Olga sequer possuía redes sociais e ainda mantinha hábitos típicos da infância, como brincar de boneca e conviver com crianças mais novas.
Em entrevista concedida logo após o crime, o delegado Nilson Farias explicou que a residência onde o homicídio aconteceu fica nos fundos de um terreno com outras casas, fator que dificultou que os pedidos de socorro fossem ouvidos por vizinhos.
Conforme o delegado, a perícia encontrou marcas de agressões no tórax da vítima e sinais de intensa luta corporal no imóvel. Claudinei relatou que a filha chegou a gritar durante o ataque, porém, devido à localização da casa, ninguém escutou os pedidos de ajuda, o que permitiu que ele deixasse o local após o crime.
Para a delegada Jéssica Assis, o caso representa um episódio extremo de violência de gênero. Segundo ela, a adolescente foi morta por começar a manifestar sua própria identidade e seus primeiros sentimentos afetivos, sendo punida em vez de orientada.
"Um pai que mata uma filha porque ela expressa seus primeiros desejos amorosos demonstra que ela não teve autonomia de vontade. Ela não foi orientada, mas punida por começar a construir sua identidade como mulher perante a sociedade", afirmou a delegada.
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