A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá (DEDM), concluiu dois inquéritos que investigaram a conduta de um professor universitário e maestro contra três mulheres ligadas a atividades acadêmicas e musicais em uma universidade pública da Capital.
Primeiro inquérito – assédio sexual
O primeiro caso apurou, em tese, o crime de assédio sexual contra uma estudante de música de 21 anos, que participava de um projeto de extensão coordenado pelo investigado. Durante as investigações, foram ouvidos familiares, colegas da vítima e outras pessoas do meio universitário. Os depoimentos reforçaram o relato de abalo emocional da jovem e apontaram comportamentos invasivos e tratamento diferenciado por parte do professor, que negou as acusações.
Ao final, a autoridade policial entendeu haver elementos suficientes para o indiciamento do docente pelo crime previsto no artigo 216-A do Código Penal (assédio sexual).
Segundo inquérito – constrangimento ilegal
O segundo inquérito envolveu duas musicistas, de 23 e 39 anos, que teriam sido chamadas pelo professor para uma reunião em novembro de 2025, antes de um ensaio no departamento de Artes da universidade. Segundo a investigação, o maestro teria pedido que elas intercedessem junto à aluna do primeiro caso para convencê-la a retornar ao projeto.
Durante a conversa, o professor supostamente se posicionou em frente à porta da sala e impediu que as duas mulheres saíssem do local por cerca de três minutos. Elas conseguiram deixar a sala em seguida e buscaram abrigo em outro espaço da universidade, onde foram encontradas nervosas e abaladas emocionalmente.
O professor negou ter restringido a liberdade das vítimas e afirmou que o encontro tratou apenas de questões relacionadas ao projeto musical. Apesar disso, foi indiciado por constrangimento ilegal, crime previsto no artigo 146 do Código Penal.
Andamento dos casos
Os inquéritos foram concluídos e encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que agora analisarão os autos para as providências legais cabíveis. O inquérito referente ao assédio sexual foi protocolado em 28 de janeiro de 2026, enquanto o segundo foi enviado em 22 de junho do mesmo ano.