O restaurante Brasido, localizado no Shopping Estação Cuiabá, anunciou nesta terça-feira (2) o encerramento de suas atividades após quatro anos de funcionamento na Capital.
A decisão foi comunicada por meio de uma nota publicada nas redes sociais do restaurante e do chef de cozinha e empresário Fernando Mack. O estabelecimento esteve envolvido em polêmicas, foi alvo de acusações e dívidas acumuladas (leia abaixo).
Sem detalhar os motivos que levaram ao fechamento, o chef afirmou que o encerramento marca o fim de um ciclo construído com “trabalho, dedicação, suor, alegria e também lágrimas”.
“Tudo tem um início, um meio e um fim. E, com o coração cheio de gratidão, comunicamos que o ciclo do Brasido se encerra por aqui”, diz trecho da nota.
No comunicado, o empresário agradeceu aos clientes que acompanharam a trajetória da casa.
“Recebemos clientes que se tornaram amigos e criamos experiências gastronômicas que ficarão guardadas na memória de muitas pessoas”, afirmou.
Aluguel atrasado
Em meio ao anúncio do encerramento das atividades, o Brasido acumulava disputas judiciais relacionadas ao pagamento de aluguel no Shopping Estação Cuiabá, onde funcionava.
O restaurante era alvo de uma ação de execução movida pelo Consórcio Empreendedor do Cuiabá Plaza Shopping, administrador do centro comercial, por débitos locatícios que somavam mais de R$ 769,8 mil, referentes ao período entre agosto de 2024 e junho de 2025.
Em novembro de 2025, a Justiça chegou a determinar o bloqueio de R$ 1,08 milhão das contas do Brasido. No mês passado, a Justiça também autorizou a penhora de bens da empresa.
Polêmica judicial
Em abril de 2025, o Fernando Mack foi alvo de um inquérito da Polícia Civil por suspeita de estelionato. A investigação foi instaurada após um grupo formado por empresários e advogados apresentar, em dezembro de 2024, uma representação criminal contra o chef.
Segundo os denunciantes, Mack ofereceu participação societária no restaurante e recebeu, ao todo, R$ 2,8 milhões dos investidores.
O grupo alegava que, desde a inauguração do restaurante, em dezembro de 2022, o chef se recusava a formalizar a sociedade, prestar contas da movimentação financeira e distribuir os lucros do empreendimento.
Em outubro de 2025, no entanto, a juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo de Justiça do Juiz das Garantias, determinou o arquivamento do inquérito que apurava a suposta prática de estelionato.
A decisão teve como base parecer do promotor de Justiça Arnaldo Justino da Silva, do Ministério Público Estadual (MPE), que concluiu que os elementos reunidos na investigação demonstravam um “intenso conflito societário e inadimplemento de obrigações”, mas não evidenciavam o dolo necessário para a configuração do crime de estelionato.