Câmeras de segurança registraram o momento em que uma mulher, identificada pela Polícia Civil como mãe da bebê encontrada morta em uma lixeira de um condomínio em Várzea Grande, leva a criança até o local e faz o descarte. O caso aconteceu durante a madrugada de 23 de julho, e as imagens foram divulgadas nesta quinta-feira (26).
No vídeo, a mulher aparece caminhando pelas áreas comuns do residencial carregando duas sacolas pretas. Ela atravessa uma faixa de pedestres e segue até um contêiner utilizado para o descarte de lixo.
De acordo com as investigações, em uma das sacolas estava o corpo da bebê. A mulher coloca o material dentro da lixeira e deixa o local.
Horas depois, um trabalhador que fazia a coleta dos contêineres encontrou a criança dentro de uma caixa de papelão e acionou a Polícia Militar.
A suspeita foi identificada justamente por meio das imagens das câmeras de segurança. Inicialmente, conforme a Polícia Civil, ela negou qualquer envolvimento, mas posteriormente confessou ter levado a bebê até a lixeira e afirmou ser a mãe da criança.
Parto ocorreu enquanto marido dormia
Durante coletiva de imprensa, o delegado Rogério Gomes, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informou que a mulher contou aos investigadores que entrou em trabalho de parto durante a madrugada, enquanto o marido dormia.
Segundo o relato, o nascimento teria ocorrido de forma inesperada e provocado desespero. A investigada negou ter provocado aborto ou utilizado qualquer substância para interromper a gestação.
Ela também afirmou que outro filho estava na residência e que não queria que a criança percebesse o que estava acontecendo.
O marido foi ouvido pela polícia e declarou que só soube do ocorrido posteriormente, quando a companheira compareceu à delegacia.
Perícia aponta que bebê nasceu com vida
A versão de que a criança teria nascido morta foi contrariada pelo exame pericial. A necropsia apontou que a bebê nasceu com vida, mas sobreviveu por pouco tempo.
A criança era do sexo feminino, tinha aproximadamente 26 semanas de gestação, cerca de seis meses, e pesava aproximadamente 750 gramas.
Segundo o delegado, o estágio avançado da gestação já apresentaria sinais físicos perceptíveis. A investigação também apontou que a mulher cursa Enfermagem e possuía conhecimentos relacionados à gestação.
Vizinhos ainda teriam levantado suspeitas de que ela estivesse grávida.
Mulher segue em liberdade
Com base nos elementos reunidos até o momento, a Polícia Civil deve indiciar a investigada por homicídio e também apura a possível prática de aborto na forma tentada, conforme informado pelo delegado.
A mulher permanece em liberdade, já que colaborou com as investigações e não foi presa em flagrante. No entanto, segundo a Polícia Civil, isso não impede que uma prisão seja determinada posteriormente, caso sejam identificados elementos que justifiquem a medida.
As diligências continuam para esclarecer todas as circunstâncias envolvendo o nascimento e a morte da bebê e definir a responsabilização criminal da investigada.