KARLA MERCEDES

Dia da Gestante: como preparar o assoalho pélvico para o parto normal

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Dia da Gestante: como preparar o assoalho pélvico para o parto normal

Durante a gestação, o corpo da mulher passa por uma série de transformações para acompanhar o crescimento do bebê e se preparar para o nascimento. Entre essas mudanças, uma região que merece atenção especial é o assoalho pélvico.

Formado por músculos e tecidos que ficam na parte inferior da pelve, o assoalho pélvico participa do controle da urina e das fezes, sustenta os órgãos da região e também tem papel importante durante o parto vaginal.

Por isso, quando falamos em preparação para o parto normal, não devemos pensar apenas em fortalecer essa musculatura. Ela também precisa ter capacidade de relaxar, alongar e trabalhar de forma coordenada. É justamente aí que a fisioterapia pélvica pode contribuir.

Um dos primeiros passos é fazer com que a gestante conheça o próprio corpo. Muitas mulheres conseguem contrair a musculatura do assoalho pélvico, mas têm dificuldade para relaxá-la. Durante o parto, essa percepção pode ser importante para que a mulher consiga acompanhar melhor as diferentes fases do trabalho de parto.

A preparação também pode envolver exercícios de respiração, mobilidade da pelve, percepção corporal e orientações sobre posições que podem favorecer o conforto durante o trabalho de parto. Dependendo da avaliação de cada gestante, o fisioterapeuta também pode orientar técnicas específicas para a preparação do períneo.

Outro ponto importante é não deixar esse cuidado para a reta final da gravidez. O acompanhamento pode começar durante o pré-natal e ser adaptado conforme o corpo da mulher muda ao longo dos meses.

Mas existe uma questão que sempre gosto de reforçar: cada mulher é diferente. Não existe um exercício único ou uma preparação que funcione da mesma maneira para todas as gestantes. A avaliação individual é importante justamente para identificar se existe excesso de tensão, fraqueza muscular, dificuldade de coordenação ou outras alterações que precisam ser trabalhadas. E fortalecer demais nem sempre é o objetivo.

Uma musculatura muito tensa também pode precisar de atenção. O assoalho pélvico precisa saber contrair quando necessário, mas também precisa saber relaxar. No parto vaginal, essa capacidade de relaxamento é especialmente importante.

A fisioterapia pélvica também pode ajudar a gestante a entender melhor as mudanças que acontecem no próprio corpo e a chegar ao parto mais consciente sobre a região pélvica.

Isso não significa garantir um determinado tipo de parto ou afirmar que a preparação evitará todas as possíveis complicações. O parto envolve diferentes fatores e deve ser acompanhado pela equipe obstétrica responsável.

O objetivo é oferecer informação e ferramentas para que a mulher esteja mais preparada para esse momento.

Outro cuidado importante é não seguir exercícios ou técnicas encontrados aleatoriamente nas redes sociais. O que é indicado para uma gestante pode não ser adequado para outra, principalmente quando existem condições específicas durante a gravidez.

No Dia da Gestante, celebrado no dia 15 de agosto, a minha orientação é que a mulher não espere sentir dor, perder urina ou apresentar alguma alteração para começar a olhar para a própria saúde pélvica.

A gestação também pode ser um momento de prevenção e conhecimento.

Cuidar do assoalho pélvico durante o pré-natal é cuidar de uma região que continuará sendo importante depois do nascimento do bebê. Afinal, o corpo da mulher não termina sua jornada no parto. Ele passa por uma nova fase, e também precisa de atenção no pós-parto.

Mais do que preparar músculos para o nascimento, preparar o assoalho pélvico é ajudar a mulher a conhecer melhor o próprio corpo e entender que força e relaxamento precisam caminhar juntos.

Karla Mercedes é fisioterapeuta e proprietária da Uropelv, clínica de saúde pélvica, nutrição e pilates em Cuiabá.