JÚRI DO EXECUTOR

"Eu acredito na Justiça, minhas expectativas são positivas", diz filha de Renato Nery; veja vídeo

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"Eu acredito na Justiça, minhas expectativas são positivas", diz filha de Renato Nery; veja vídeo

A filha do advogado Renato Nery, Lívia Nery, em entrevista ao Veja Bem MT, nesta terça-feira (14), disse que acredita na Justiça e na condenação de Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado pelo Ministério Público como o autor dos disparos que mataram o jurista em 5 de julho de 2024.

Alex sentará no banco dos réus nesta quarta-feira (15). É o primeiro de pelo menos seis júris relacionados ao crime.

Lívia deu detalhes de como foi o dia em que o pai foi assassinado. Ela relatou que chegava no prédio onde os dois trabalhavam quando encontrou Renato Nery já baleado. Ela acompanhou o pai dentro da ambulância até a chegada no hospital.

A filha do advogado citou que só teve conhecimento de que o crime se tratava de uma execução depois de algum tempo, já que no início havia a ideia de que a morte poderia ter sido durante um assalto.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Renato Nery foi morto porque sua atuação em uma disputa judicial por uma propriedade rural, localizada em Novo São Joaquim (448 km de Cuiabá), contrariou interesses econômicos dos supostos mandantes do crime.

A acusação sustenta que o homicídio foi planejado, financiado e executado mediante pagamento.

Conforme as investigações, Alex Roberto aguardou a chegada do advogado ao escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, e efetuou os disparos no momento em que a vítima desembarcava do veículo. Em seguida, fugiu em uma motocicleta.

Toda a ação foi registrada por câmeras de segurança, cujas imagens passaram a integrar o conjunto de provas reunidas pela Polícia Civil.

Ainda de acordo com o Ministério Público, o executor teria sido recrutado pelo policial militar da Rotam Heron Teixeira Pena Vieira, apontado como um dos intermediários da execução. O crime, vale lembrar, completou dois anos neste mês.

Durante o julgamento serão ouvidas cinco testemunhas de acusação: os delegados Bruno Sérgio Magalhães Abreu e Caio Fernando de Albuquerque, responsáveis pelas investigações; o escrivão Davi Padilha Nogueira; Kaster Huttner Garcia; e Lívia Moreira Gomes Nery, filha da vítima.

Disputa milionária

A investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que o assassinato teve como motivação uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural em Novo São Joaquim.

Segundo a denúncia, um casal apontado como mandante do homicídio, teria decidido eliminar Renato Nery após sofrer derrota em um processo conduzido pelo advogado, o que teria provocado prejuízos financeiros expressivos.

Para viabilizar o crime, conforme sustenta o Ministério Público, o casal contratou policiais militares.

Eles seriam responsáveis por organizar a execução, recrutar o atirador, intermediar os pagamentos e fornecer a arma utilizada no homicídio.

O casal e os três policiais militares permanecem presos preventivamente e também responderão por homicídio qualificado perante o Tribunal do Júri.

Crime mobilizou forças de segurança

A execução de Renato Nery provocou grande repercussão em Mato Grosso nos últimos dois anos não apenas pela ousadia, visto que o advogado foi morto em plena luz do dia em uma das principais avenidas de Cuiabá, mas também pelo perfil dos investigados, entre eles policiais militares da Rotam.

Ao longo de mais de um ano de investigação, a Polícia Civil reuniu provas que, segundo a acusação, apontam para a existência de uma cadeia de execução claramente definida, com mandantes, intermediários e executores.