A presidente da Câmara de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), utilizou a sessão legislativa desta terça-feira (9) para defender o irmão, o deputado estadual Faissal Calil (PL), que foi alvo da Operação Gemini, realizada pela Polícia Federal na segunda-feira (8). A ação integra as investigações que apuram um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Durante seu pronunciamento, Paula declarou confiar nas instituições e manifestou a convicção de que o parlamentar conseguirá comprovar sua inocência. Segundo ela, o momento pré-eleitoral pode favorecer situações que considera perseguições políticas contra agentes públicos que disputam a reeleição.
“Tenho plena confiança de que todos os fatos serão esclarecidos. Estamos em um período de pré-campanha e episódios como esse podem acontecer. Acredito na inocência do deputado Faissal e na apuração correta dos fatos”, afirmou.
A vereadora ressaltou que se manifestava não apenas na condição de presidente do Legislativo municipal, mas também como irmã do deputado. Ela afirmou ter recebido a notícia da operação com tranquilidade por acreditar que o parlamentar não cometeu irregularidades.
A Operação Gemini é um desdobramento das investigações sobre um suposto esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do Judiciário mato-grossense. Além de Faissal, o desembargador Dirceu dos Santos, que já está afastado de suas funções, também foi alvo das diligências.
Faissal atuou como assessor de gabinete do magistrado entre 2017 e 2018. Conforme a investigação, mensagens trocadas entre o deputado e o advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, chamaram a atenção dos investigadores em um processo relacionado à reintegração de posse de uma propriedade rural localizada em Cláudia, a 620 quilômetros de Cuiabá.
Segundo documentos da Polícia Federal, Zampieri teria informado ao deputado que uma decisão proferida por Dirceu dos Santos atenderia aos termos discutidos anteriormente entre eles. A informação consta em despacho do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As conversas encontradas no celular do advogado revelaram indícios de uma rede de negociação de decisões judiciais, investigação que alcançou magistrados e desembargadores em diferentes estados e também chegou ao STJ.
Afastado do cargo desde março por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Dirceu dos Santos também é alvo de apurações patrimoniais. Conforme os levantamentos, ele possui bens avaliados em mais de R$ 16 milhões, valor considerado incompatível com seus rendimentos como magistrado.
Entre os imóveis declarados está um apartamento avaliado em cerca de R$ 1 milhão, localizado no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá. De acordo com os registros, o imóvel foi adquirido por meio de permuta em conjunto com o deputado Faissal Calil. Entretanto, o bem não consta na declaração patrimonial apresentada pelo parlamentar.